Thursday, January 18, 2007

A Possibilidade da Felicidade

Na nossa sociedade são-nos dadas possibilidades de fazer algumas escolhas no que diz respeito á nossa definição de felicidade.De tal maneira, que muito boa gente acaba por perder mais tempo a tentar definir o que é isso de felicidade (e se realmente é ou já foi feliz) do que a procurar os momentos de felicidade e vivê-los(mas para isso surgem soluções na sociedade de que falarei mais adiante).
Procuram critérios, criam protocolos, só quase faltando elaborar uma lista de coisas a cumprir para se poder convencer a si próprio que já é feliz.
Realmente o tema é subjectivo e aberto a propostas, podendo chegar ao cúmulo de uma pessoa viver acompanhada e feliz, outra estar só e também dizer que é feliz, aparecer uma pessoa rica que diz ter alcançado a felicidade e outra que é pobre e afirma o mesmo.Outra diz que vive muito deprimida pois a sua vida não é mexida o suficiente, apesar do vizinho da lado dizer, pelo contrário,que como nunca tem descanso na sua vida, é-lhe difícil encontrar a felicidade, pois precisa de tranquilidade para alcançá-la.
Surge então a suspeita que cada pessoa terá a sua definição de felicidade, pois ninguém consegue dar certeza do que é.
Mas esta ideia não convém nada numa sociedade organizada, massificada, politizada e perseguida pelos estudos estatísticos de mercado.Pois para tal tipo de controlo é preciso que as pessoas sejam o mais parecidas possível umas com as outras, para que seja mais fácil para alguém que quer iniciar um negócio, prever aquilo que irá mais provavelmente corresponder á procura comum.
Para evitar que se perca o controle das massas e noção do que as pessoas querem, entram então as soluções que anunciei anteriormente no final do primeiro parágrafo:não perguntar o que as pessoas querem.Impor primeiro e perguntar depois.Um mercado num regime capitalista não quer saber, em geral, o que as pessoas querem, mas sim descobrir como convencê-las a querer, para depois vender, dizendo que tem o que elas precisam (surgindo daqui, vários grupos bem definidos de consumidores).Quando as pessoas já estão convencidas, aí os produtos entram na moda e ver-se-á quanto tempo essa moda durará.
Penso que isto faz uma analogia com o conceito de felicidade também.Ou seja, quando as pessoas não chegam a uma conclusão sobre o que significa este conceito, a economia e a política influenciará e apresentará propostas que se definem pela procura das carreiras, dos sucessos, das vitórias, das casas, dos carros, das viagens...que se seguidas pela maioria das pessoas, influem nas tendências da sociedade até ao ponto em que ninguém conhece ou tem acesso a outro tipo de vida.Cai-se que nem patinho na vida certa, previsível e controlável por quem beneficiar desse poder.
Ser um pouco mais contra a corrente, pensar um pouco mais nas possibilidades da vida, não aceitar á partida as promoções,as propostas políticas e de mercado, acreditar um pouco mais na sua própria opinião e vontades próprias em deterimento daquilo que parece mais correcto.São tudo ideias que não fazia mal experimentar e que iriam contribuir para não ajudar mais a que as tendências de massas se transformem em estruturas inamovíveis.

4 comments:

PuLhA said...

Penso que o problema essencial a toda esta confusão sobre aquilo que deve ser a "felicidade", provem de dois factores importantes.
1) Não existe definição possível do que é ou vai ser a felicidade de alguem. Não me é a mim, ou a mais ninguém, possível dizer com alguma certeza, se ser feliz irá derivar da minha carreira, ou de andar nu pela selva da Amazónia. Penso que o conceito é quase impossível de atingir, e que aqueles que atingem os seus objectivos e se sentem felizes, não se sentem pela situação em questão, mas sim pela descarga de adrenalina e da euforia de terem chegado ao seu destino. Penso que cada pessoa define a sua felicidade conforme as suas insatisfações do momento.
Eu pessoalmente penso que não existe "felicidade" como nós a normalmente definimos, penso que ela é uma palavra associada á memória de um momento, ou á imaginação de outro momento ,que nos inspiram. Mas ela não existe fora das nossas mentes.
O problema é que a nossa sociedade, promove a felicidade, como um pertence. Como uma recompensa existente para todos, e merecida por todos! Promove-se a importancia da felicidade, e a justeza de alguem alcanca-la. Assim as pessoas criam um NOVO conceito de felicidade, e fazem de tudo para o alcancar. Mas como este conceito foi nos dado pela sociedade, nos fazemos o que esta nos dita como certo para alcanca-lo.
Esta felicidade moderna e definida pela ausencia de necessidade. Sempre que queremos algo, para sermos felizes devemos tê-la, e acima de tudo compra-la!
2)O segundo ponto, na minha opinião, centra-se na sobrevalorização da felicidade. Porque é que é que é importante ser-se feliz? Será que se não tentarmos ser felizes, não podemos ser felizes? Será que é possivel atingir esse conceito?
Penso que não. O conceito de felicidade moderna é a de alguem que não precisa de mais nada. Ora será possível alguem não precisar de nada? Se sim, sera que nos nao precisamos de precisar de algo?
Esta busca parece-me inocua. Estamos a tentar apanhar os nossos rabos. Aqui surge 1 resposta repetidamente: Não são os objectivos, é a busca dos mesmos. Concordo. Mas, se não é o objectivo, qual a importancia do mesmo? E imperativo ser o conceito moderno de felicidade? Ou e totalmente inocuo aquilo que procuramos? Ou sera algo no meio?
Eu penso, que se a sociedade criou um conceito de felicidade para eu seguir, porque não criarei eu o meu proprio? Não é ele o mais substancial! É a minha procura do mesmo. Portanto, será que quero uma carreira? Porque é que hei de querer? Se calhar não faz parte do MEU conceito de felicidade!

Aqui surge uma das mais preocupantes características do mundo actual: A falta de pensamento espontâneo.
A ausencia da pergunta essencial : PORQUE?;
As pessoas perdem cada vez mais o habito de pensar por si proprias e duvidarem de tudo aquilo que nao lhes e justificado. Todas as frases feitas, todos os cliches da sociedade, sao pedacos de informacao aceites por todos sem a minima cobranca por uma justificacao!!

Desculpem o tamanho do texto :)

Boa Sorte, e Boa Noite =)

Maria Joao said...

Esta é claramente uma discussão complicado porque penso que a felicidade de cada indivíduo só pode ser definida por ele mesmo.
O problema é que para a generalidade das pessoas o conceito é independente dele próprio pois durante décadas e décadas os média e a própria sociedade criaram um conceito de felicidade "universal", isto é, construiram uma "definição" daquilo que devia ser a felicidade para toda a gente, baseada na total satisfação do individuo.
Logo aqui começam os problemas: como é que num mundo tão diversificado, com pessoas e culturas tão diversas se pode estabelecer algo comum além da própria humanidade de cada ser? Além disso fará parte da nossa natureza atingir um estado supremo de satisfação plena, isto é, conseguiremos nós parar de buscar algo? Talvez a busca de algo superior, de algo melhor seja a única hipótese de termos breves encontros com a felicidade, não porque a felicidade plena seja atingível, mas porque acho possível sentirmo-nos felizes por várias vezes na nossa vida, seja porque estamos rodeados por pessoas de quem gostamos, seja por sermos reconhecidos pelo nosso esforço para construir algo no mundo, seja por nos sentirmos úteis para a sociedade. Mas atenção: apesar da nossa sociedade buscar continuamente uma ascenção, não penso que esteja no caminho correcto porque, além de definir o que é melhor para cada indivíduo, define a felicidade como um bem maioritariamente superficial baseado unicamente nas aparências, no status, na situação económica ostentável.No fundo penso que a nossa sociedade tem vindo a apelar a um estado dormente das pessoas que já nem têm de pensar no que as faria felizes. Desta forma encontramos poucas pessoas que alguma vez tenham sido felizes porque não são mais do que marionetas do nosso sistema.
Da minha reduzida experiencia de vida tenho apenas a retirar que talvez não seja feliz neste preciso momento mas já o fui por inúmeras situações, situações em que momentâneamente a minha busca cessou por, naquele instante, não ter sentido qualquer necessidade,senti-me realizada. Não espero sentir-me sempre assim, até porque se tornaria rídiculo andar prai sempre com um sorriso idiota na cara, mas sei que das minhas escolhas futuras irão provir muitos mais momentos de felicidade e algria.

Pajero said...

A felicidade está dentro de nós. Está à nossa volta. Sou feliz. Não sou mais sortudo que os outros. Apenas não me preocupo com os momentos maus. Aprendo com eles. Sem stress, sem fúrias. Aprendam a viver sempre com um sorriso. Não é facil? É porque não querem ser felizes...

jackie said...

Ser feliz.
Um imperativo ou uma decorrência da nossa condição humana? E os animais buscam felicidade ou vivem-na?
Podemos recorrer à natureza para A encontrar ou será que somos felizes por defeito, mas com uma certa curiosidade em conhecer o seu oposto? Será uma atracção pelo caminho mais difícil ... o desafio, o que dá luta, o que nos provoca? Talvez.
Se acreditarmos que transportamos Felicidade em nós, porque insistimos em procura-lA fora de nós?
Será que existe em cada alma uma confusão de sentidos que levam ao estado de inquietude sobre a veracidade desse Sentimento? Conceito? Utopia ?
Não nos deixemos provocar pelo que está fora mas ousemos explorar o que está dentro de nós.
Que a força do espírito que cada um transporta não ceda ás correntes e falácias que diáriamente o tentam seduzir.
Sejamos felizes e cultivemos o que de melhor temos para oferecer. Nada mais. Nada menos.