Wednesday, May 23, 2007

Entre Neo-Nazis e Enfermeiras-parte 2

Falemos então agora, de mulheres:

Analisando o que se sabe sobre o cérebro das mulheres, parece-me viável dizer que tal está estruturado de forma mais realista, pois utiliza mais vezes os dois hemisférios em simultâneo para realizar tarefas do que o homem.Isto traz-lhe vantagens no que diz respeito à harmonia com a natureza, pois nesta os objectos não estão já limitados de acordo com os nossos conceitos.Tudo está ligado de alguma forma.Daí a aversão geral das mulheres aos raciocínios absolutistas e limitadores da realidade.

O facto é que nem sempre interessa harmonizar ao máximo com a natureza.Ao longo da construção de uma sociedade surge sempre a necessidade de fazer evoluir conceitos como segregação, separação, regras, limites, sistemas e outros que vizam apenas organizar e gerir a realidade e não, vê-la tal como ela é.Não vizam ser como a natureza.Vizam AGIR NA NATUREZA.Vizam tomar decisões, mais do que realistas, funcionais.Função, esta é a palavra chave.Os homens avaliam o valor de algo pela sua função e versatilidade.As mulheres não precisam que algo sirva para alguma coisa para lhe darem valor, daí que acham que toda a gente merece amor e consideração.Até os criminosos e os imbecis precisam de atenção.Tudo conta.Tudo é importante.

Por muito que me custe admitir, esta atitude faz mais sentido do que a dos homens utilitaristas, pois na verdade, a vida não tem que ter uma função, as pessoas não têm que ter uma função nem de ser julgadas por isso.A sociedade é que exige que tal aconteça para que se lhe possa pertencer e beneficiar da sua protecção.Protecção essa que é a única ideia que convence a Mulher a concordar que a sociedade se organize para lá das várias famílias.Para que todos se possam salvar.

Mas apesar disso, penso que se passa algo na sociedade dos dias de hoje que não contribui para revelar estas características na mulher.A necessidade de se afirmarem como substitutas dos homens, como se isso fosse bom e sem,ás vezes, pensarem se é isso que querem.

Observei isso num hospital, hà pouco tempo.No meio de todo aquele ambiente de portas e corredores em que me perdi, só me sentia bem quando, em vez de passar um médico arrogante ou um paciente numa maca, passava uma enfermeira sorridente e que quase me tentava "curar" com o olhar.Depois, na altura em que conversava com uma médica sobre o paciente, tentei fornecer alguns dados sobre ele, que pensei serem importantes.Mas numa atitude que não esperaria numa mulher,a médica virava a cara e fingia já saber tudo e não dava importância.O mesmo fez a segunda médica que analisou o mesmo paciente.
O facto é que o que eu disse sobre as possíveis razões sobre a causa do episódio que levou o paciente ao hospital confirmaram-se no dia seguinte por um médico particular.E se a dita médica tivesse usado os dois hemisférios como fazem as enfermeiras com que me deparei, teria dado mais atenção às pessoas envolvidas, ter-me-ia ouvido e teria evitado as 8 horas de exames e análises inconclusivos que o paciente teve que sofrer.

Estas duas médicas tentaram , na minha opinião, adoptar uma atitude mais distante, talvez para se sentirem pertencentes a um mundo que olham como masculino, mas numa representação infeliz não obtiveram nenhuma vantagem a partir dessa ideia.

Como sabemos, noutras ocasiões pode ser útil usar essa atitude distante como a que usei para analisar o que se passou na minha frente com intuito de chegar às conclusões que apresentei.A aproximação excessiva(que atribuo como desvantagem das mulheres) pode levar a misturar conceitos que embora realmente ligados não me ajudariam a pensar num contexto específico.

Acontece que o abuso do distanciamento pode levar a atitudes como a dos Nazis e como as dos agora emergentes, Neo-Nazis e nacionalistas. Tanta determinação e vontade poderia ser usada para coisas muito mais úteis do que tentar conquistar um lugar da assembleia para forçar a ostracização e promover o racismo.Espero que as mulheres não se juntem nestas inciativas de masculinização estúpida da sociedade, apenas para se poderem afirmar também.

O confronto de valores resultante das vontades dos homens e das mulheres deve-se manter sem nenhuma visão ter de prevalecer sobre a outra.Pois se os homens perdem os seus "defeitos", a sociedade perde a sua força e objectividade e se as mulheres perdem os seus, a sociedade perde a sua razão e encanto.

5 comments:

claudia said...

Das várias abordagens que levanta, existem pelo menos, duas que me parecem de realçar:

Em primeiro lugar, a relação entre os dois hemisférios cerebrais que se manifestam como tendencialmente masculinos ou femininos.

A natureza humana acabou por encontrar nas "alas" direita e esquerda o ponto de partida para a diferença.

Por um lado a construção da visão masculina - com tendência para interpretar a realidade pela função que ela desempenha - é uma característica implementada pela ala esquerda.

Por outro, a realidade feminina - com forte tendência para a aceitação das percepções que a realidade lhe vai apresentando, encontra na ala direita o seu núcleo duro.

Nesta flagrante diferença entre alas, podemos presumir que a manifestação das características entre os dois sexos se baseiam na potencial predominância do seu uso preferêncial - embora fisiológico e não intencional - de cada uma destas misteriosas alas.

Isto muda tudo. Isto explica tudo.

Numa segunda abordagem, parece-me que se verifica uma certa tendência para um sexo querer "competir" com o outro.

Seja ao nível das actividades profissionais, seja através da capacidade física para as desempenhar. Parece que no fundo quando isto se verifca ambos os sexos se estão a afastar da sua Natureza, traindo-se um ao outro, negando-se. Salvo raras excepções, não saem tão bem, não se sente a mesma confiança.

Parece, na verdade, descontextualizado.

Não estou a ser feminista ou machista. Estou a tentar, porque em pleno não consigo, ser imparcial - "supra-sexual".

Verifico que a necessidade de afirmação entre e inter-sexos não tem tido os resultados que a vida reclama. A prova disso são os comportamentos e atitudes dessa médica, por exemplo, que claramente se esforçou para ser algo que não é.

O ser humano não se deve impedir de ser diferente, de viver e revelar-se de forma distinta. Não melhor ou pior que o outro, apenas diferente.

Num mundo onde a competição impera e parece justificar a importância de uns sobre outros, não se forcem alas, nem se construam pontes frágeis e inseguras para testar as diferenças.

Sem a complementaridade e não a superioridade dos sexos podemos caminhar para a harmonia da nossa espécie, onde cada um tem o seu papel a desempenhar.

Mas afinal reconhecemos as diferenças ou tentamos sempre ultrapassá-las? Serão as diferenças, um obstáculo à evolução ou serão elas um pretexto para essa evolução?

Seja qual for a resposta a conciência desse facto já por si por representar um avanço em prol dessa evolução.

Precisamente porque é dela que depende o futuro da raça humana. Precisamente porque é ela que justifica a Vida.

Inha said...

Não é por mal, mas o que tu descreveste em relação a essas médicas com que te deparaste não tem grande coisa a ver com o seu género sexual mas mais com a própria profissão... Se reparares bem as pessoas que escolhem medicina como carreira, em geral fazem-no simplesmente porque têm notas para isso,e não porque gostem ou tenham aptidão para interagir e ajudar pessoas...aliás, ao contrário dos enfermeiros que desde cedo estagiam, praticando todo o tipo de tarefas o que lhes dá pelo menos pedalada para aguentarem todo o tipo de situações sem mandarem toda a gente para o "diabo", os médicos só muito tarde começam a ter aulas nos hospitais as quais, segundo me consta, têm um carácter mais científico e técnico do que propriamente psico-social....

Já que estamos nesta onda eu vou aproveitar para fazer uma descrição resumida do centro de saúde da zona onde vivo:
Para começar temos a médica que desmaia quando vê sangue, passando pela médica casada com um traficante de droga também ela grande consumidora e adepta da prática de medicina "drogada" (chega mesmo a não se aguentar nas pernas com as mocas...), não esquecendo o médico que passa o tempo a gritar com as velhinhas porque elas não vão às consultas marcadas e de vez em quando manda um palavrão para o corredor não esquecendo o médico que poupa nos exames, incluindo auscultação, medição da tensão, essas tretas, que resume a sua prática à receita de medicamentos sem saber o que se passou.... Isto é que é talento hem?!

garibaldov said...

1 ponto:

"...não tem grande coisa a ver com o seu género sexual mas mais com a própria profissão..."

eu sei que não é por mal...:)

Precisamente, o que afirmo é que se se tivesse verificado uma relação dessas médicas com o seu género sexual, tinham-se saído melhor, a meu ver, pois o "carácter científico e técnico" delas não lhes serviu de nada.

2 ponto:

não é muito relevante debater esse caso concrecto, porque se eu quiser, posso simplesmente arranjar outro.Apenas precisava de um ponto de partida para a minha proposta e tanto podia ser este como qualquer outro.
Essa proposta consiste, em parte, num desafio às mulheres para introduzirem atitudes alternativas no sistema de saúde (ou qualquer outro) e que não se limitam a cometer os mesmos erros que os homens, por se aliarem às tendências desse sistema.
Ao que a proposta mais geral é a de um equilíbrio entre a influência da mulher e do sexo oposto e os benefícios de uma consciência da diferenciação sexual, pois acho que a participação da Mulher nos sistemas sociais, por enquanto, consiste apenas num aumento do número de efectivos, mais do que num aumento de influência real do seu sexo.

Peço desculpa senão me exprimi bem.

Miguel C. Romão said...

Bom, achei bonito, com QB de romantistmo e muita racionalidade. Mas com algumas premissas que não concordo, outras sim.

Para começar, vou concordar com a Inha, a questão da postura das médicas, mas com outras premissas.

Eu não concordo que a mulher, principalmente nesse caso, esteja em competição profissional com o homem. Creio sim que a mulher está em competição porque é o modelo e a mentalidade profissional de hoje em dia. Com os ditames das "leis" económicas, que não para aqui discutir, não há outra hipótese, principalmente nas profissões mais exigentes, senão ter essa postura.

Por outro lado afirmas que o problema está na transcendência da mulher do seu género para uma postura não natural do seu género. Então pergunto eu uma coisa, o que é o género?

Não será uma construção social teres brincado desde cedo com bonecos e as mulheres terem sido educadas com bonecas? Não poderá isso ser uma causa para as descrições que fazes sobre o desenvolvimento das capacidades intelectuais do cérebro de todos nós?

Na realidade assentas a tua argumentação com racionalidade, lógica e clareza, mas não concordo com as premissas e creio que também não concordas. Eu acho que o teu ponto de partida, um certo romantismo no antropocentrismo da evolução humana, não é propriamente um bom ponto de partida para um discurso lógico, uma vez que o desenvolvimento do homem não teve propriamente a ver com as suas capacidade cognitivas mas sim pela natureza, em primeiro lugar, e pelos meios, onde mais tarde viria a vingar a sociedade.

Como humanista que sou, acredito que o argumento antropocentrista deve ser desmistificado e desconstruído, uma vez que é o primeiro a impor barreiras nos horizontes do homem e da mulher modernos: racionais, capazes de fazer juízos de valor, seres vivos e dinâmicos em sociedades complexas, etc etc

Contudo, e antes que me ataques com tudo o que tens, há uma diferença entre antropocentrismo e a compreensão de alguns passos evolutivos baseada no ser humano como animal: se me disseres que certas coisas que nós fazemos ou somos devido às nossas limitações físicas (animais), consigo compreender e concordar nesse ponto de vista. E acredito que haja diferenças intrínsecas ao sexo masculino e feminino, que possam produzir diferentes reacções no ser humano como ser racional, mas não creio que muitas coisas que aqui enumeraste sejam menos de raízes culturais e civilizacionais como dás a entender que são animais.

Posso estar enganado, afinal de contas sou cientista. Mas acho que defendi o meu ponto de vista com alguma racionalidade e mantive-me fiel às minhas premissas. Quando assim é, raramente encontramos consenso, mas muitas vezes o mais divertido em discutir é a discussão em si, não o seu fim.

cumps!

garibaldov said...

Bom, devo agradecer levantares a questão "cultural-natural" pois acho crucial neste debate(que falarei adiante).O mesmo não acho das outras questões que levantas.
Eis porque acho isso:

Na questão da Inha penso que já foi respondida por mim(embora partas de diferentes premissas)pois eu não considero que as médicas tenham tido a mínima influência do seu género na sua actuação.O que eu considero é que PODIAM ter tido, o que neste caso teria resultado numa eficácia de redução do tempo de consulta para um décimo.Embora eu não fale, necessariamente, de competição, sugiro que as mulheres poderiam até suplantar os homens em certos casos e que se nesses casos, isso não acontece é por não partirem de si mesmas, mas das referências dos homens.

Falas em "trascendência" da mulher em relação ao seu género.Mas felizmente, eu não falo, pois não acho que seja isso que se passa.Nessa visão, eu estaria a dizer que o homem é que é transcendente à mulher, que esta se deveria manter em baixo e que não deveria sair de casa.Pelo contrário.Não acho que exista essa "transcendência" porque a mulher nem se chega, muitas vezes, sequer a atingir a si própria, pois é seduzida pelos valores masculinos que ainda dominam a sociedade.

Para além disso não imponho nenhuma visão antropocêntrica.Simplesmente eu falo do que se passa na sociedade metropolitana e não no meio da selva ou savana.Falo dentro de um meio construído pelo ser humano e não meramente pelas circunstâncias da natureza.

Por fim, quanto à questão cultural-natural, que está de facto, intimamente ligada com a questão do antropocentrismo, já acho que há mais pano para mangas mas tentarei falar resumidamente sobre isso, cingindo-me á diferenciação sexual:

A diferenciação sexual é um dado essencial para a reprodução humana.E começam a haver razões para a acreditar que isso é extensível ao comportamento e não apenas à aparência.Por exemplo, saiu no "The Economist" de 5-11 de agosto de 2006, nas páginas 66-68, um artigo científico sobre as diferenças entre os sexos onde inclusive, falam sobre experiências com macacos bébés em que, dos brinquedos à disposição, os macacos machos escolhiam carros de bombeiros e as fêmeas escolhiam bonecas.Muitas outras experiências, mas com humanos, estão também nesse artigo (a maioria delas feitas por mulheres, curisamente) que indicam que o comportamento de acordo com o sexo deriva, essencialmente, das zonas do cérebro que são activadas, cérebro este que é, de facto diferente para cada género(como me refiro, brevemente, no primeiro parágrafo).
Isto vem reforçar a minha suspeita de que nós não somos por e simplesmente peões das convenções sociais e a diferenciação sexual não deriva apenas da cultura.Aliás, estou em crer que a cultura contribui mais para a cumplicidade e entendimento entre os sexos do que para a sua segregação e diferenciação.Pois gostava de saber o que teriam em comum os sexos se não fossem educados no mesmo lar...

Muita coisa ficou por dizer, infelizmente, mas espero isto já ter servido de alguma coisa.