Tuesday, January 8, 2008
A paridade e outras leis estúpidas
O problema não está nas ideias em si.Nem sequer na utilidade das leis.O problema é que o nosso julgamento da viabilidade das mesmas já está à partida viciado pelo hábito de não esperar que o sistema seja inteligente.A descrença na cultura da lei e no entendimento geral da mesma afecta até Sócrates, que por sua vez, debita decisões, marimbando na adaptação dos portugueses e desprezando quem se põe entre si e a UE...
Despenalização do aborto?Claro.Desde que não seja feita à base de referendos não vinculativos e conversa "esquívoca"(fusão de esquiva com equívoca) com fim na passagem da batata-quente para o cidadão português...
Regulamentação das zonas de consumo de tabaco?-Óbvio, desde que seja feita com base no interesse dos cidadãos e não com base no interesse de empresas, governo e sua imagem.
Leis da adopção...ok, tem de se provar vocação, tem de ser difícil adoptar, mas que tal não ser impossível??E quanto à hipótese de adopção por parte de casais homossexuais, que tal pensar no assunto em termos de várias situações diferentes?Graus de parentesco(se as houver), circunstâncias financeiras, idade da criança, relações afectivas(se já as houver) entre a criança e oa casal candidato, historial da criança...Custa muito pensar na lei como algo que fornece soluções e alternativas à nossa vida em vez de servir para a impor limitações definitivas?Eu acho a necessidade de um casal homossexual adoptar uma criança algo potencialmente estúpido e caprichoso.Quer isso dizer que devo resolver o assunto, proibindo totalmente essa alternativa?Se o fizer é porque estou neste vício legislativo de complicar a vida ao cidadão comum e tentar facilitar a dos juízes(o que por mais que se tente, não se consegue).
RJIES...Reformas?Claro!-Mas não estas e não sem diálogo claro e concrecto sobre o assunto.Gostaria de ter uma palavra antes de serem abertas as portas há hipótese do conceito primordial de Universidade desaparecer...e das únicas coisas que restem sejam a entrega de diplomas(os tão desejados peixes-graúdos que tapam a vista a qualquer outro peixe que se possa pescar numa faculdade) e as mesas de matrecos...
E por fim...
Descriminação positiva?Venha ela.Mas uma lei mal-parida(daí, talvez, o nome de paridade) que parece ter sido concebida enquanto se defecava na companhia da leitura da Maria,(ou de um livro de Paulo Coelho-no caso de prisão de ventre) já dispenso. O nosso querido parlamento condenou o povo português a alimentar-se de lei de aborto ou de abortos de leis(às tantas já nem distingo).
Se fosse só estupidez.Se fossem só daqueles devaneios que ninguém sabe donde vieram.Mas não.São as nossas tentativas de acompanhar o resto do mundo...
No EUA existem directivas para tornar possível uma descriminação feita nas contratações de pessoas para empregos, que beneficia as mulheres e indivíduos de origem não-caucasiana que tenham as mesmas competências que os competidores directos(os homens caucasianos-essa ralé...).Apesar de incorrecto, tem uma dose de realismo, visto que ainda existe muito racismo e sexismo no seio da sociedade americana.E apesar de tudo, é um confronto entre pessoas de mérito equivalente...
Já em Portugal, o que se vê, é que pela qualidade das mais notórias representantes do belo sexo na política portuguesa ,(Odete, Felgueiras, Drago, Pires de Lima...) dir-se-ia que há mulheres a mais na política portuguesa...pensando mais um pouco, também à homens a mais...ora vejamos...há INCOMPETENTES a mais!...que tal mudar isso?Não.Vamos ser modernos.Se calhar é melhor lançar uma lei que deixa tudo na mesma, mas em compensação obriga a obedecer a requesitos que nada têm a ver com mérito, mas com aparência?
Digno de me curvar perante as mulheres portuguesas seria se se tivesse alastrado um movimento pelo país constituído por elas mesmas, rejeitando a tal lei por ser injusta e por não quererem conquistar o seu poleiro por via de favorecimentos injustificados.
Em vez disso, arrisco-me a um dia a passar na rua e ouvir uma mulher dizer ao telefone:"Ha vais-te inscrever na lista, afinal?Obrigado, amiga.Graças a Deus, já posso desistir.É que eles matavam-me se a nossa lista fosse rejeitada, só porque preciso de tempo para tomar conta do meu filho que acabou de nascer..."
Sunday, January 6, 2008
Sobre a lei do Tabaco e o Governo a correr atrás da Europa
A última coisa que apetece a um fumador pachola e contentinho, com quase meio século de cadastro e dois restinhos de pulmão ao seu dispor, é ver convertida em polémica filosófica e motivo de apaixonadas doutrinas a pequenina e mecânica pulsão de puxar por um rolinho de papel, entalá-lo entre os lábios e chegar-lhe um fósforo. Olhando para trás, não tenho o remorso do crime hediondo, premeditado a frio e na minúcia, com o tresloucado objectivo de extinguir os meus contemporâneos e de me apossar das riquezas do mundo, para meu mando e desmando. Não. Vejo mais um puto que foi ao café antes de tempo e que, por entre a curiosidade e a propensão para partilhar as liturgias conviviais, se foi habituando a meter lufadas de calor nas entranhas e a achar que, ao expeli-lo, os argumentos saíam muito mais inteligentes. E, afinal, o Hemingway fazia-o, o Albert Camus também e o Bogart, esse então, era inimaginável sem o cigarro na boca. Eu não via então no tabagismo uma vocação de raça ou tribo, princípio ou credo, confraria ou partido. E o mesmo sucedia com a maioria dos meus amigos, que o curso da vida iria levando a abdicar do cigarro (ou do charuto ou do cachimbo) ao ritmo dos sustos que a saúde lhes foi pregando. Retardatário, eu aguardo ainda o meu, numa qualquer esquina que bem pode ser a próxima. Mas ainda não me apeteceu empenhar as energias - que tudo na vida requer e para tudo na vida fazem falta - na abdicação de um pequeno prazer, mesmo que feito de mero hábito e auto-sugestão.
Sei que é um vício e gosto dele: como a personagem do Wilde, resisto a tudo menos à tentação. Não me imagino, por isto, herói nem mártir. Não me pinto vítima, nem resistente. Enuncio o mais rudimentar dos porque-sins da vida quotidiana, convencido, como sempre estive, de que é nela que a felicidade se joga. E sobre esta matéria, é o que tenho para dizer ao jovem médico que vi na televisão e que, de tão louro, imberbe e feroz no discurso sanitário de apuramento da raça, me fez evocar os netos das experiências do Dr. Mengele. E aos comissários europeus politicamente excedentários, que precisam de mostrar que o seu pelouro existe, para o que se dedicam a infernizar o nosso quotidiano com minúcias em papel timbrado e um puritanismo a que chamam rigor. E também aos deputados que deixaram a lei pendente de regulamentação, sem proclamar, preto no branco, que a mesma condicionava a aplicação do diploma (não porque tal fosse tecnicamente necessário, mas porque, como a experiência ensina e a prática deste início do ano comprova, era politicamente necessário). E ao Governo e todas as instâncias que objectivamente jogam com a falta de regulamentação para levar a incerteza e o medo dos comerciantes a instalar uma situação que não é a que a lei contempla e prevê.
Porque a questão que coloco é muito simples: o legislador tem de assumir a sua lei e as suas consequências. E se a lei suscita dúvidas de interpretação - talvez precisamente por não ter sido regulamentada, nos termos em que foi anunciado - não me interessam nada as interpretações da Direcção-Geral da Saúde ou da ASAE, entidades a que não compete nem uma interpretação autêntica nem a regulamentação da lei. Pelo que os seus facultativos contributos não valem mais do que o mérito técnico que tiverem - tal como as minhas e as de qualquer paisano, fumador ou não. Pois, para além da técnica, o que está aqui em jogo é uma dimensão de liberdade individual - e, dessa, ninguém sabe tanto como o indivíduo que é dela titular.
O inaceitável é a fuga às responsabilidades. É despejar o ónus de uma aplicação maximalista da lei sobre os atarantados donos de pequenos restaurantes que, querendo optar por fumadores ou apetrechar-se para áreas com e sem fumo, têm medo de o fazer segundo a sua própria leitura do diploma e virem depois a perder o investimento realizado. Isto é uma espécie de "por agora, isto é o maximalismo irlandês, mas o brando Portugal já aí vem" (com a regulamentação). Se a lei é a que foi votada, regulamente-se e cumpra-se "como nela se contém". Se é para endurecer, que volte ao Parlamento e dê a cara. Sob as leis de Atenas, não deve haver vida espartana."
Nuno Berderode Santos, jurista
In Jornal de Notícias Domingo, 6 de Janeiro de 2008
Thursday, January 3, 2008
Memories...
Campanha para eleições autárquicas envolveu mais dinheiro do que todas as eleições desde 1976.
Gastos previstos pelos partidos são dez vezes mais altos do que em 2001 .
A campanha para as eleições de domingo foi a mais cara de sempre. Envolveu, aliás, mais dinheiro do que a soma de todas as campanhas feitas desde 1976. O apoio do Estado às máquinas partidárias também atingiu um recorde de 54,6 milhões de euros (quase metade do total), pelo que cada português contribui com 5,5 euros.
Segundo os orçamentos de campanha partidários, estas autárquicas deverão custar 118 milhões de euros. Dez vezes mais que as de 2001 e mais 23% do que o valor dispendido em campanhas desde que há eleições democráticas. A contribuição do Estado - na forma de subvenção paga pelo Parlamento - corresponde a quase metade (46%) do total.
As mudanças introduzidas em 2003 à Lei do Financiamento dos Partidos - em vigor desde Janeiro - ajudam a explicar estes valores. Em pleno "período da tanga", o Parlamento legislou no sentido de permitir aos partidos triplicar as despesas possíveis em campanhas, abrindo a porta, em simultâneo, a que o Estado também multiplicasse por três o apoio concedido.
"Despesa gigantesca"
Para Manuel Meirinho Martins, docente do Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, este "gigantismo de despesa" é "incompreensível" face ao estado das contas públicas.
"Numa altura em que se apela ao apertar do cinto, ninguém entende que se gaste tanto e que o Estado pague quase metade", afirma, lamentando que estes fundos sirvam para alimentar o "puro espectáculo" em que se tornaram as campanhas. Prova disso é que, com tanto dinheiro, os partidos até colocaram cartazes em zonas onde sabem bem que não vão chegar ao poder.
A forma como a lei está feita, denuncia o académico, abre caminho à "compra do voto e do poder", impedindo que o debate político seja "mais mobilizador" para o cidadão.
Na prática, explica Meirinho Martins, os partidos - que desde 2000 não podem receber dinheiro de privados para as campanhas - precisam de "conquistar cada vez mais votos" para poderem receber cada vez mais do Estado.
Ao abrigo da lei de 2003, o Estado financia os partidos por duas vias anualmente, entrega-lhes uma subvenção proporcional aos resultados das legislativas (cada voto, quatro euros); depois, liberta um apoio para as campanhas (150% das despesas possíveis, que dependem da dimensão demográfica do concelho) que também é função sobretudo da proporção dos votos.
"As campanhas tornaram-se um negócio para os partidos", denuncia Meirinho, para quem o financiamento partidário é "uma das maiores mentiras políticas em Portugal". Apesar de haver mais investimento público nos partidos e nas campanhas, afirma, o sistema não melhorou. "Há mais informação? Maior participação?", questiona, arriscando uma resposta "Estamos a afectar mais recursos públicos para ter um efeito negativo". O CDS foi o partido que mais se aproveitou das mudanças da lei, estimando gastar agora 50 vezes mais do que em 2001. Já o PS e a CDU destacam-se por preverem gastar "apenas" o quintuplo de há quatro anos.
No "campeonato" dos apoios do Estado, a Esquerda ganha, com o Bloco e a CDU a receberem dos cofres públicos cerca de 70% do que prevêem gastar. À Direita, o PSD conta com apenas 27,4% do total e o CDS/PP com 21,2%.
Também os independentes têm direito a ajuda do Estado. Isaltino Morais recebe 60 mil euros (num total de 223 mil de gastos), cabendo a Valentim Loureiro 140 mil euros (em 335 mil). Ferreira Torres fica de fora, por não ter uma lista candidata em simultâneo à câmara e assembleia municipal. As contas de Fátima Felgueiras não são conhecidas."
in Jornal de Notícias de sexta-feira, 7 de Outubro de 2005
Para ter uma ideia de comparação de valores (não só numéricos, como aparentemente, morais) fui consultar o orçamento de estado consolidado para 2008 e para o ministério da saúde encontrei os seguintes dados que passo a citar:
"...A despesa de funcionamento normal financiada por receitas gerais prevista para o subsector Estado, excluindo o SNS, totaliza 68,8 milhões de euros..."
No quadro da despesa total consolidada é possível verificar também que o financiamento total para "investimentos do plano" corresponde a 43,2 milhões de euros.
Ainda aparecem alguma justificações referentes a acréscimos de alguns milhões de euros em relação à estimativa feita em 2007.Não se preocupem.Para ser grave tinham de competir com os orçamentos das campanhas...118 milhões no total...
Isto para não investigar o dinheiro que foi gasto na realidade.Nomeadamente pelo PS, que aparece com valores sempre estranhamente modestos, comparando com o alarido que consegue fazer nos meio dos outros partidos, que anunciam maiores orçamentos.O que só pode ser explicado pela protecção existente por reprografias e empresas que vendem serviços a preço da chuva.
Wednesday, January 2, 2008
É preciso fazer alguma coisa!
É impossível haver um debate assertivo entre pessoas que no caso de não estarem preocupadas em não se prejudicar umas às outras, provocam cisões...
Para que os partidos continuem unidos, os debates têm de ser algo como "o nosso partido é fixe"-"não é nada, é tótil"-"vá meninos, não se zanguem"...
Chega deste teatro!
É preciso fazer sombra aos partidos!
É preciso descredibilizar os partidos!
É preciso fazer as ideias valerem mais que eles!
Chamar informáticos, físicos, biólogos, filósofos...ao poder!
É preciso acabar com a destino fatal de se precisar de pertencer a um partido!
É preciso acabar com os clubes partidários!
Com as tradições!
Com os historiais partidários!
Com os orgulhos partidários!
Precisamos recuperar o valor do ser humano!Dos indivíduos!
Aqueles que se fazem valer sozinhos numa assembleia!
Que são aplaudidos, não pelo seu partido, mas por qualquer pessoa no parlamento!
É preciso acabar com a elite treinada para lidar com o "povo"!
Chega de desculpas para a elite!Chega de desculpas para o povo!
Acabaram-se os homens para queimar!Todos somos responsáveis!Quem não achar que é, que esteja calado!
É preciso parar o investimento que se faz nos partidos!
É preciso acabar com a didatura do marketing partidário!
É preciso acabar com a barreira dos partidos!
Com o cerco dos partidos!
Com o vício dos partidos!
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E foi mais ou menos assim...depois acordei e fui estudar para os exames.
Wednesday, December 12, 2007
Unidos na perdição...
Em suma, sempre à porrada até ao golpe de estado de 1926 que até 1934 se tratou de "limpar" outros milhares de vidas de revolucionários, anarquistas e sindicalistas....e cá estamos, bem ao estilo português...como sair, agora, de 40 anos de estagnação e pausa nas guerras e na instabilidade(pausa essa obtida através de medo e hipocrisia governamental)?
Mais um golpe de estado!!Que é para baralhar o esquema ainda mais...
Não gostamos de didatura pois não?Então siga mudar tudo!!!
Sorte tiveram os espanhóis que, como é habitual, seguiram os nosso passos e tomaram decisões baseados nas nossas iniciativas.Portanto, viram a !"#$% que isto deu e decidiram ser mais prudentes na renovação da constituição e na instauração do novo regime...
Nos últimos 200 anos não tivemos um político que realmente resolvesse uma situação...os espanhóis tiveram o Juan Carlos...bastou.
Tivémos o Marquês de Pombal, o qual não necessita de nenhuma lista de méritos.D.Maria( que era louca e tinha pesadelos com távoras queimados) destituiu-o e com isto terminou a nossa era.Temos o início da nossa "viradeira"...
Hoje, continuamos a viver num país onde o talento jorra por todos os cantos, potencialidades anunciam-se, nomes revelam-se no estrangeiro, valor...confirma-se...no entanto não mudámos ainda o facto de sermos um país que ganhou a tradição de fazer mal a si próprio.Porque quando falo nestes tais últimos duzentos anos, que se iniciam com as invasões francesas, não devemos esquecer que foi um português, o filho da maluca, D.João VI(uma regência-emenda quase pior que um reinado-soneto), que deixou este país ao deus-dará...depois coube ao povo ficar rancoroso com a anterior debandada da família real e o seu comportamento no Brasil.Surgem miguelistas pelo povo adentro...Porque foi aquele parvo do D.Pedro tirar-nos o Brasil?-deviam pensar-e esses burgueses do Porto, sempre com francesices, já não nos chega expulsar os franceses daqui, agora querem uma constituição liberal...querem é que o Estado não lhes lixe os negócios...
E vamos então ao confronto:
Um(D.Miguel) assumia-se conservador e absolutista e outro fazia-se liberalista e libertador da tirania(D.Pedro) .Um fazia-se vingador do povo ferido e outro impressionava os burgueses, os intelectuais e os estrangeiros.Um mandava uma constituição justa e democratizante pela sanita abaixo e outro invadia Portugal para o tornar palco de sangria durante 6 anos.
Na minha opinião...ambos déspotas de primeira apanha...
Fomos nós que fizémos isto a nós próprios.É a nós todos que nos devemos culpar e a nós que nos devemos entender.
Nós, este povo com pavor da autoridade, individualista e ao mesmo tempo universal.Que cria ideias, jorra iniciativas e depois não desfruta delas ou não as leva até ao fim.Porque aparece sempre mais um que tem outra opinião e a democracia transforma-se numa competição de talentos potenciais de todos os tipos, excepto aqueles que interessam ao conjunto de pessoas que da acção social e política dependem...Porquê?Porquê este aparente masoquismo?
Num país tão pequeno...tanta divergência quando é preciso avançar.Mas ao mesmo tempo, tanta concordância quando alguém propõe parar ou adiar?
A forma como as elites e o jet-set se venderam e "nos" venderam ao estrangeiro.A forma como aceitaram influências culturais do estrangeiro, a forma como a iliteracia se manteve-E como ela poderia explicar tão bem tudo isto que se passou...mas isso não basta, continuo:
Porquê?
Talvez, numa visão mais sádica, não se tenha morto gente suficiente ao longo destes dois séculos.Talvez com uma guerra como a querra civil americana ficássemos tão traumatizados que só parávamos de trabalhar quando isto atinasse...
Ou então, se calhar, o povo português, devido ao facto acima mencionado, o de ser anti-autoridade, simplesmente acaba por também não ser um povo muito solidário e cooperativo no que toca a iniciativas políticas.No meio de toda a sua generosidade criativa o português é também egoísta, egocêntrico e concentrado em olhar para o seu umbigo e para o seu futuro frustrado em vez de querer ter um plano geral do país.Dentro de toda a tradição que vale a pena manter, há partes que seria bom tentar destruir ou perder o orgulho em possuir, que é o exemplo desta xico-espertice, que afecta os portugueses em geral, de pensar na política em termos de "a mim é que eles não me enganam" e procurar uma união para além da futebolística.Será muito reaccionário propor que se pense neste país em vez de em si próprio, de vez em quando?
Eu não peço sequer um crescimento económico que nos ponha no topo da UE.Eu não peço um nível de vida acima da média da UE.Não peço sequer nada ao governo.Apenas peço que deixemos de ser este povo desligado.Não é preciso que se cante o hino nacional em cada esquina.É preciso apenas que voltemos a ser um País.
Tuesday, October 9, 2007
A Felicidade de Uns
Na Constituição dos EUA, existe uma emenda que deu origem a uma resolução por parte do Supremo Tribunal de Justiça, que determinava aos cidadãos americanos o "direito á procura da felicidade". Penso que este e outros princípios da democracia tocam nos nossos "corações" e nos enternecem pela sua "justiça". Nós sentimos que é justo vivermos numa sociedade em que temos o direito a ser felizes.
Surge neste momento, na minha opinião um conjunto de pessoas, e personalidades pública e políticas que advoga mais com o coração do que com a cabeça. Escolhendo os temas e pontos de vista em que acredita, sentindo e não pensando. Ou pior, escolhe os pontos de vista que sabe que nos tocam nos nossos "corações" de forma a ter um maior sucesso junto de nós.
Temos de ter em conta algo que comecei a dizer no título mas não acabei:
A felicidade de uns é a miséria de outros.
A verdade é que na Constituição Americana não diz, que os seus cidadão têm o direito á felicidade. Diz que têm o direito a persegui-la. Pois na realidade não existe o conceito de felicidade absoluta num estado livre.
Aqui reside o problema: a felicidade absoluta é atingível apenas quando se define aquilo que é felicidade. Criando uma norma, chamada "felicidade". E assim poder-se-ía dar o direito dessa "felicidade" ás pessoas. Mas desta forma não somos nós que definimos a "felicidade", é a norma. E assim, o estado pode até ser um estado de direitos, mas não é um estado livre. Pois não somos livres de fazer tudo excepto aquilo que interfere com os direitos dos outros, mas sim de fazer tudo aquilo que está dentro dos nossos direitos. Que são previamente definidos.
A minha felicidade, se definida por mim, pode até ser a infelicidade de alguem. Assim demonstro o teorema acima enunciado. A felicidade absoluta não existe num estado que é livre.
Este problema é apenas uma aceitação da realidade que é impossível todos nos darmos bem, e sermos felizes simultânemente, num estado livre, onde os choques das nossas liberdades são inevitáveis. Mesmo que aceitar isto quebre os nossos "corações".
Portanto o argumentar com o coração, só em relação a sermos livres. Esse é o meu axioma. Livres excepto quando interferimos com as liberdades dos outros. Livre de me matar, de cometer todos os erros que se consigam imaginar, dado serem erros para todos, menos para mim...
Só assim seremos livres, e o meu coração, apesar de não estar inteiro, está melhor do que se estivesse acorrentado.
Sunday, July 8, 2007
Mediocridade e Poder
É absurdo o facto de muita gente depositar esperança em políticos.Como se estivesse nas mãos deles a felicidade de cada um de nós.No fundo está-se a depositar esperança em quem se dedicou mais tempo a conquistar poder e estatuto.Na maior das probabilidades, são pessoas que, em vez de se desenvolverem em áreas de conhecimento específicas, ganhando depois a consciência da sua possibilidade de contribuir para trabalho estatal, passaram logo para a disputa de poder oligárquico ou para uma área que nitidamente lhes coloca perto das questões políticas (como seja, curso de direito, jornalismo, relações internacionais, etc) e com experiência e paciência suficientes para discutir com o intuito de levar a melhor, independentemente da validade e qualidade dos seus argumentos.
Tudo isto são características que não interessam a quem está dependente das decisões das pessoas que as possuem( a essas características) mas interessa ter a quem se move nesses meios(do poder político).
Parecem existir dois discursos paralelos na democracia.Um cidadão despudorado manifesta a sua reivindicação de uma vida melhor à classe política e a classe política reivindica a atenção dos cidadãos para com os seus discursos inúteis e sem conteúdo concrecto, que têm a função de obter uma determinada impressão e reacção por parte do público.Mas a única consequência inevitável desses discursos é o início de opiniões e bitaites por parte desse público que, como não lhe é dada quase nenhuma informação inequívoca, usa tudo aquilo que tem para construir pontos de vista que são trocados até ao infinito e que cada vez mais contribuem para que ninguém esteja realmente informado sobre o que se passa e quem é, de facto, o político que defende a melhor medida.
Isto deve-se, também,ao facto de o discurso político não ser um discurso informativo, mas um discurso publicitário.Onde, acidentalmente, aparecem algumas informações soltas, mas que correm o risco de se tornarem obstáculos ao objectivo do orador.Porque, para alguém que precisa de ter razão, independemente da realidade dos factos, essa realidade é um obstáculo ou pelo menos um fardo.O discurso de alguém com esta postura equivale ao de um advogado contratado por si próprio onde o juíz não existe, não sabe as regras ou não tem autoridade.O único limite do discurso político é o tempo(e às vezes nem esse).O tempo de antena de certos políticos já foi causa de catástrofes ao longo da História.
Uma forma de contribuir para esta tendência é a existência de juventudes partidárias que servem para "encarreirar os putos" que para lá aparecem e se dedicam a conhecer os "meandros da política", a arranjar contactos e popularidade.A construir um estatuto abstracto e sem fundamentos que não sejam a experiência de rodagem em comissões e reuniões.É só quererem e será uma questão de tempo até muita gente os conhecer, uma vez que não conseguem estar calados e os partidos os incentivam a ter essa auto-confiança interminável no que dizem.
Isto constitui o ensaio geral para quando tiverem cargos de poder que conseguem alcançar devido aos primeiros "contactos".O país está sempre dependente da boa-vontade e critério desses contactos.Dessa escolinha de contactos e politiquinhos.
Mas estas escolinhas ensinam muita coisa, isso não se pode negar.Ensinam a "lábia", a rapidez de vocalização inócua e respostas imediatas a perguntas inesperadas.A capacidade de falar mais, de ter a última palavra, de vencer no campeonato das palavras.De não se deixar por vencido.De ter o seu ego como combustível.De se auto-despersonalizar, de deixar de ser uma pessoa em detrimento das suas funções e objectivos.De se mediocrizar.
A necessidade de poder advém , quanto a mim, da falta de algo, de insegurança pessoal.É a necessidade de uma compensação narcísica (repare-se que é raro a beleza ser uma característica de um político.E quando é, a arrogância é interminável).Parece-me que a busca de poder é, na verdade, a sensação da falta dele.
Quererei eu dizer com isto que todos os políticos tiveram como principal impulso esta auto-satisfação, mesmo que mais tarde não se tenham tornado interesseiros?Não.
Quererei dizer que se devia descredibilizar o conceito de poder?Também não.
A minhas setas vão apenas na direcção daqueles que lidam com o conceito de poder como se de um valor absoluto se tratasse.Àqueles que se dedicaram a avançar para os terrenos do poder e decisão sobre outros sem terem qualquer preocupação com o que fazer com isso. Àqueles que transportam ideologias que não passam de pretextos.Àqueles que não se preocuparam em saber o que queriam fazer da vida, desde que resultasse em poder.Que não se importam de ser medíocres.Que se desperdiçam a si próprios por algo que, isoladamente, não tem qualquer valor ou significado, o poder.
Porque, infelizmente, o que acaba por acontecer é que, em geral, quem se dedica(genuinamente) a melhor pensar e compreender o mundo e contribuir para o conhecimento(físicos, químicos, biólogos, investigadores, filósofos, etc) esquece-se dessa busca de poder e informação detalhada dos mecanismos políticos.E quem os conhece melhor(a esses mecanismos) foi quem apenas a isso se dedicou a sério, tendo, quanto ao resto do mundo, desenvolvido uma visão superficial.
Estamos presos a este ciclo de falta de rigor técnico dos eleitores e falta de raciocínio e conteúdo nos políticos.Nem os cidadãos sabem fazer perguntas nem os políticos sabem dar respostas.
O teatro político tende a tornar-se numa manta de palavras que cobre os factos que continuam a passar-se na mesma e que nem os políticos nem os restantes cidadãos conseguem alterar.A não ser, no que toca a uma certa intuição na hora das eleições e no que toca à procura do "timing" por parte dos políticos.Tanto o aborto, como o aeroporto ou a reforma das universidades são questões que se resumem em quanto tempo se consegue adiar um acontecimento neste país.Tudo se resume a uma gerência de ideias já tidas.Tudo se resume a gerência de poder.
Importar-me-ia eu de ter poder?Claro que não!Todos os dias busco o poder sobre mim mesmo e sobre o meu futuro e tento descobrir, com risco de falhar, onde estou a ser dominado e tento, também, combater esse facto.Claro que busco esse conceito.
Importar-me-ia eu de ter poder sobre outros, por princípio?Também não.À partida, não posso saber se seria bom ou mau nesse papel.
A questão é se recusaria buscar um papel de poder, sem antes querer saber qual a sua aplicação-Isso sim, recusaria.
Baseado nas palavras de Francis Bacon:"Knowledge is Power"
O poder não leva ao conhecimento mas o conhecimento pode levar ao poder.
CONHECIMENTO ANTES DO PODER.
Vejam aqui um estudo psicanalista sobre este tema
Friday, July 6, 2007
O circo chegou a Lisboa
Vem aí o circo.Há cartazes.Há palhaços.Há malabaristas.Há trocas de galhardetes.Há diversão.Há tempo e dinheiro perdido.Há espectáculo!!!
Ia a passar na calçada de carrixe e comecei a ver a quantidade de cartazes respectivos às autárquicas e parecia que estava no meio de uma revista de bd em que os bonecos se insultavam todos uns aos outros.Parecia que cada cartaz que eu lia, já estava a responder ao insulto do cartaz anterior(sim, eu li alguns, processem-me).
O melhor, se calhar, é juntarmo-nos à festa, como fazem os do Gato Fedorento e não desperdiçarmos a oportunidade que este país nos dá de nos divertirmos, que isto, o mal, é levarmos a vida a sério...
Mesmo assim gostava de partilhar este pensamento:
Síndrome da responsabilidade política:Quem são as únicas pessoas que não precisam de saber fazer nada pelo país?As que mandam fazer.
E uma curiosidade:
Etimológicamente, as palavras "eleição" e "inteligência" têm raízes parecidas, uma vez que "eleição" quer dizer "escolha" e inteligência diz respeito á capacidade de "escolher" entre várias opções.Curioso...
Tuesday, June 26, 2007
Porquê o alargamento da discussão pública do novo RJIES?
Concretização da diferenciação das Instituições Politécnicas no Capítulo da Investigação;
Excerto de um post: "SCOOP RJIES - um Nariz de cera" do blog: Outra Loiça
Um exemplo que serve para demonstrar porque agendou Mariano Gago, a discussão pública do novo RJIES para justamente, a época de exames em que os mais interessados em se informar e discutir estão sem tempo para tal discussão (professores e alunos) pois estão a estudar, a fazer ou a corrigir testes.
É já esta quinta-feira a votação na AR!
Thursday, June 21, 2007
Homenagem a Tolstoy
"Os ricos farão de tudo pelos pobres, menos descer de suas costas."
"Quem nunca esteve na prisão não sabe como é o Estado".
"O homem que desempenha um papel nos acontecimentos históricos jamais lhes compreende o significado".
"A arte é um dos meios que unem os homens."
"Aceitar a dignidade de outra pessoa é axiomático. Não tem nada a ver com dominação, apoio, ou atos de caridade em relação aos outros."
"É no coração do homem que reside o princípio e o fim de todas as coisas."
"Governos precisam de exércitos para protegê-los de seus oprimidos e escravizados súditos."
"Em minha busca de respostas para a pergunta da vida, senti-me exatamente como um homem perdido em uma floresta."
"Em vão centenas de milhar de homens, amontoados num pequeno espaço, se esforçavam por disfigurar a terra em que viviam; em vão a cobriam de pedras para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão impregnavam o ar de fumaça de petróleo e de carvão; em vão escorraçavam os animais e os pássaros - porque até na cidade a Primavera era Primavera". Retirado do livro Ressurreição
"Quase todos os esforços humanos se dirigem não à diminuição da carga do trabalhador, mas a tornar mais agradável o ócio dos que já vivem em lazer."
"A tristeza pura e completa é tão impossível quanto a felicidade,pura e completa."
"Cada um pensa em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar-se a sí mesmo."
"É mais fácil escrever dez volumes de princípios filosóficos que por em prática um só deles."
"As vezes acontece que se discute porque não se chega a comprender o que pretende demonstrar o nosso interlocutor."
"É mais fácil fazer leis do que governar"
"Não há situação a que um homem se não habitue, principalmente se todos os que o rodeiam vivem em iguais condições."
"O respeito foi inventado para esconder o lugar vazio onde deveria estar o amor"
"As mulheres são o principal obstáculo à actividade do homem. É difícil amar uma mulher e fazer qualquer coisa ao mesmo tempo."
"Todo aquele que tem uma vida complicada julga ver nessa complicação uma fatalidade que só a ele atinge."
"A energia tem por base o amor e o amor não se consegue à força."
"Qualquer pessoa é capaz de se conservar horas sentada de pernas encolhidas, sem mudar de posição, desde que esteja certa de que nada a impedirá de o fazer. Mas, sabendo que é uma imposição, terá cãibras e as pernas, trémulas, acabarão por se estender."
E a minha preferida:
"Antes de dar ao povo sacerdotes, soldados e maestros, sería oportuno saber se ele não está a morrer de fome."
Tuesday, June 5, 2007
Just do it
"...não sendo certamente a mesma coisa praticar algum dos actos com uma criança de cinco, seis ou sete anos, ou com um jovem de 13 anos, que despertou já para a puberdade e que é capaz de erecção e de actos ligados à sexualidade que dependem da sua vontade."
Consideram a erecção um acto voluntário(todos os homens se lembram da primeira, foi mesmo de propósito...os sacanas...).E já que foi de propósito, já não há tanta responsabilização do abusador(como homem, sinto-me elogiado por considerarem que por o meu género ter um orgão fálico, isso me dá, desde tão cedo, poder e controlo absoluto e consciente sobre o meu sexo.As mulheres(que não são condenadas por ter prazer numa violação), vítimas do sexo(que duro golpe na emancipação) é que se calhar, estão á mercê desse falo.Então, os homens, de facto, mandam mesmo nisto...
Bom, e já agora deixem-no(ao condenado) sair mais cedo, coitado, que é para ver se ele apanha depressa, mais algum desses malandros preversos, capazes de erecção...(que, pelo que os juízes nem sabiam, inclui até mesmo bébés).
Que sorte, para o menor, que o caso já está encerrado, senão às tantas, ia ele preso.
"O arguido foi mantendo o seu comportamento sobre este menor, o que foi sendo propiciado pelo facto de o menor não contar a ninguém. (...) que se limitou a ‘ordenar’ ao ofendido que não contasse o que se passava entre eles."
Que caso tão raro esse do "não contar a ninguém".Nunca acontece...Este menor é, de facto, um inovador...merece tratamento especial...
Este caso, realmente, tocou-me.Acho que devia haver uma associação para a a defesa dos pedófilos, para eles não sofrerem abusos da justiça.Felizmente, que este foi salvo, a tempo, pelo SUPREMO(sim, supremo, engraçada esta palavra, não é?) Tribunal que lhe conseguiu reduzir a pena de 7 anos e 5 meses para 5 anos.
Já viram 7 anos e 5 meses?Que barbaridade!!!
E que fique a mensagem: se encontrarem um jovem "capaz de erecção", isso significa que ele já está para as curvas e se quiserem cometer algum crime de pedofilia com atenuante, têm sempre esta opção no mercado(ou na rua, ou na escola, ou em casa...).Se não fossem as lições da justiça portuguesa, não sei o que seria de nós...
Passando para um tom mais sério, parece-me que o problema não está em considerar que um abuso a um menor de 13 é diferente de um abuso a um de 6 ou 7 anos, pois isso é óbvio.O problema reside, a meu ver, nos argumentos usados e na demonstração da falta de tacto destes juízes para temas como "sexo", tema que infelizmente abrange uma parte muito importante dos casos de tribunal e até podia abranger mais, se a maioria dos casos fosse denunciado.Se estas "opiniões" tivessem sido dadas por um tribunalzeco da vila-dos-cata-percebes, já eram graves, mas feitas pelo mais alto orgão decisório da Justiça em Portugal já não são classificáveis.
Até no facto de se achar que pode ter havido consentimento por parte do menor, se deve atenuar a pena, não se percebendo que não é isso que faz do pedófilo menos perigoso e irresponsável.Quase que o facto de o menor poder ter tido esse consentimento desagrava uma vontade do condenado que, possivelmente, existiria de qualquer forma.Para que serve afinal o estatuto de menor?
O facto é que o comportamento sexual numa sociedade é das coisas mais importantes que nela existe(seja activo ou passivo).A naturalidade das pessoas na abordagem desse tema é fulcral.Mas trago comigo a suspeita de que cada vez mais se fala em sexo, mas cada vez menos se sabe o que é.Existe uma aparente libertinagem na arte e na cultura actual, em relação ao sexo, mas quando se chega à hora da verdade acontecem casos como o destes juízes que, no mínimo, foram influenciados por um desconforto escondido e defendendo-se com uma atitude arrogante perante um assunto que, pelos vistos, não dominam muito bem.
A minha hipótese é que, embora, muitos homens actualmente, sintam a necessidade de exibir uma atitude de macho latino desprendido, eu por outro lado considero que é a falta de afectividade no sexo que leva as pessoas a fazerem-no sem saber o que estão a fazer, pois uma relação com alguém sem querer saber desse alguém, mais não é que uma "masturbação".Esta atitude leva as pessoas a lidar com uma relação sexual como se fosse algo de estranho.E tanto aqueles que copulam como se fizessem exercício físico, quase olhando para o sexo como algo desligado do resto da vida, ou aqueles que o fazem como se de um favor se tratasse, são ambos "anjinhos assexuados" pois ambos estão, no fundo, distantes do assunto e penso que isso faz deles, indivíduos perigosos.
E em certos casos, essa atitude de estranheza é escondida por detrás da banalização do assunto (banalização essa que pode levar as pessoas a recorrerem a aplicações alternativas da sua sexualidade - a moda do sado-maso, a necessidade de experimentar orientações sexuais diversas, etc - que considero serem sinais de tédio e/ou frustração sexual) e pode levar as pessoas a tratar os parceiros como objectos(pois se o sexo é estranho, então a outra pessoa, enquanto parceira sexual, também o é), já não tendo importância se estes são menores ou outra coisa qualquer pois, afinal de contas, são apenas objectos.
Thursday, May 31, 2007
Greve sem efeito
Wednesday, May 23, 2007
Entre Neo-Nazis e Enfermeiras-parte 2
Analisando o que se sabe sobre o cérebro das mulheres, parece-me viável dizer que tal está estruturado de forma mais realista, pois utiliza mais vezes os dois hemisférios em simultâneo para realizar tarefas do que o homem.Isto traz-lhe vantagens no que diz respeito à harmonia com a natureza, pois nesta os objectos não estão já limitados de acordo com os nossos conceitos.Tudo está ligado de alguma forma.Daí a aversão geral das mulheres aos raciocínios absolutistas e limitadores da realidade.
O facto é que nem sempre interessa harmonizar ao máximo com a natureza.Ao longo da construção de uma sociedade surge sempre a necessidade de fazer evoluir conceitos como segregação, separação, regras, limites, sistemas e outros que vizam apenas organizar e gerir a realidade e não, vê-la tal como ela é.Não vizam ser como a natureza.Vizam AGIR NA NATUREZA.Vizam tomar decisões, mais do que realistas, funcionais.Função, esta é a palavra chave.Os homens avaliam o valor de algo pela sua função e versatilidade.As mulheres não precisam que algo sirva para alguma coisa para lhe darem valor, daí que acham que toda a gente merece amor e consideração.Até os criminosos e os imbecis precisam de atenção.Tudo conta.Tudo é importante.
Por muito que me custe admitir, esta atitude faz mais sentido do que a dos homens utilitaristas, pois na verdade, a vida não tem que ter uma função, as pessoas não têm que ter uma função nem de ser julgadas por isso.A sociedade é que exige que tal aconteça para que se lhe possa pertencer e beneficiar da sua protecção.Protecção essa que é a única ideia que convence a Mulher a concordar que a sociedade se organize para lá das várias famílias.Para que todos se possam salvar.
Mas apesar disso, penso que se passa algo na sociedade dos dias de hoje que não contribui para revelar estas características na mulher.A necessidade de se afirmarem como substitutas dos homens, como se isso fosse bom e sem,ás vezes, pensarem se é isso que querem.
Observei isso num hospital, hà pouco tempo.No meio de todo aquele ambiente de portas e corredores em que me perdi, só me sentia bem quando, em vez de passar um médico arrogante ou um paciente numa maca, passava uma enfermeira sorridente e que quase me tentava "curar" com o olhar.Depois, na altura em que conversava com uma médica sobre o paciente, tentei fornecer alguns dados sobre ele, que pensei serem importantes.Mas numa atitude que não esperaria numa mulher,a médica virava a cara e fingia já saber tudo e não dava importância.O mesmo fez a segunda médica que analisou o mesmo paciente.
O facto é que o que eu disse sobre as possíveis razões sobre a causa do episódio que levou o paciente ao hospital confirmaram-se no dia seguinte por um médico particular.E se a dita médica tivesse usado os dois hemisférios como fazem as enfermeiras com que me deparei, teria dado mais atenção às pessoas envolvidas, ter-me-ia ouvido e teria evitado as 8 horas de exames e análises inconclusivos que o paciente teve que sofrer.
Estas duas médicas tentaram , na minha opinião, adoptar uma atitude mais distante, talvez para se sentirem pertencentes a um mundo que olham como masculino, mas numa representação infeliz não obtiveram nenhuma vantagem a partir dessa ideia.
Como sabemos, noutras ocasiões pode ser útil usar essa atitude distante como a que usei para analisar o que se passou na minha frente com intuito de chegar às conclusões que apresentei.A aproximação excessiva(que atribuo como desvantagem das mulheres) pode levar a misturar conceitos que embora realmente ligados não me ajudariam a pensar num contexto específico.
Acontece que o abuso do distanciamento pode levar a atitudes como a dos Nazis e como as dos agora emergentes, Neo-Nazis e nacionalistas. Tanta determinação e vontade poderia ser usada para coisas muito mais úteis do que tentar conquistar um lugar da assembleia para forçar a ostracização e promover o racismo.Espero que as mulheres não se juntem nestas inciativas de masculinização estúpida da sociedade, apenas para se poderem afirmar também.
O confronto de valores resultante das vontades dos homens e das mulheres deve-se manter sem nenhuma visão ter de prevalecer sobre a outra.Pois se os homens perdem os seus "defeitos", a sociedade perde a sua força e objectividade e se as mulheres perdem os seus, a sociedade perde a sua razão e encanto.
Entre Neo-Nazis e Enfermeiras-parte 1
Como em qualquer proposta de ditadura, existia o objectivo de criar um estado de controlo máximo da movimentação das pessoas.É aqui que reside para mim, o início da questão e onde considero haver um dado interessante.A relação entre um estado controlador e a sua "virilização".
A razão porque no nazismo se propagava a violência nas ruas como forma de fazer política, nada mais era do que a melhor forma de prever e domar os acontecimentos, porque verdade seja dita, um estado "virilizado" é muito mais previsível e controlável do que um estado "efeminado" onde as motivações e os valores não seriam tão básicos e superficiais.
O próprio Hitler não deveria ser tão nazi quanto os seus seguidores, mas arranjou sem dúvida um discurso simples, eficaz e acima de tudo "viril" que por esta mesma última característica dava segurança a quem se assumia partidário desse discurso.Digo mais até:Hitler gostava de mulheres, coisa que não parece acontecer com a percentagem esmagadora de nazis(e mesmo Hitler aparenta ser duvidoso), para os quais o mundo deve ser masculino, militarista, espartanista, opressor, racista e nacionalista, não deixando espaço para outras características mais compassivas, conciliantes, cujas se podem considerar mais femininas.Um homem que recusa por completo características femininas numa sociedade é um homem que gosta de homens.Mas na minha opinião, Hitler fazia-o hipócritamente e por necessidade de controlo.O facto de se proibir a homossexualidade brutalmente, mais não pode ser do que um medo escondido que isso se pudesse alastrar num mundo virilizado, não o tornando tão previsível.
Surge a segunda parte da questão e o terceiro lado do triângulo.A relação entre virilização e anti-naturalidade.
Virilização---Previsibilidade---Contra-Natura
De facto, existe a tentação de prever ao máximo a realidade para poder controlá-la, e no caso dos homens que não estão tão ligados à terra e à vida, mas sim, aos seus objectivos, mais fácil se torna conceber um mundo onde, embora não se negue as tendências naturais, se nega a sua supremacia e simplesmente se procura a eficácia do sistema criado pelo ser humano.
É uma tentação muito forte aquela que um homem tem para pensar:" E se eu previsse isto tudo?E se eu já entendesse tudo?E se eu já controlasse todos os parâmetros da natureza e da sociedade?E se eu souber tudo?Eu podia ser Deus."
Esta tentação vai contra a natureza das coisas mas é uma boa forma de motivação para a vida, na minha opinião.Pois sabendo que não sou Deus, não preciso de me preocupar enquanto busco a perfeição, uma vez que esta busca será infinita.Mas por ser infinita, eu tenho de saber quando parar, quando me render, tenho de buscar a estabilidade de vez em quando.É aí que entra a Mulher.Mulher essa que estabelece os limites da loucura para o homem(ou a passagem para outras).
Curiosamente e ao contrário do que normalmente oiço, não é o homem que dá segurança, mas sim a Mulher, pois mais importante do que nos que protegermos das tempestades, das confusões e dos inimigos é proteger o valor da vida.É ter uma resposta(como se fala, e bem, num anterior post), uma justificação...e a única resposta concrecta e real que o homem tem para a vida...é a Mulher.
Sunday, April 15, 2007
República das bananas
Mas o mais grave em tudo isto é que um assunto que não parecia ter importância para a vida política e para o futuro de Portugal(por mim, Sócrates até podia ser varredor de ruas) ganhou importância quando o primeiro-ministro deixou que lhe empurrassem à parede, não lhe restando outra solução senão defender-se com unhas e dentes para provar a legitimidade do seu título de engenheiro (como se fosse com isso que o eleitorado português estivesse preocupado)cujo nem está reconhecido pela respectiva Ordem.
Ao insistir em defender-se e usar argumentos dúbios como mostrar um papel que confirma a sua obtenção de um MBA em resposta a uma reclamação dos jornalistas de uma confirmação de uma licenciatura legítima, que equivale a responder as horas, quando lhe perguntam o dia, Sócrates deixou mais acesa a hipótese de se ter embrulhado numa confusão por uma mera atitude de novo-riquismo pequeno-burguês de quem quer ter títulos e reconhecimento.
Se até o primeiro-ministro perdeu tempo com um assunto que tão pouco diz respeito ao futuro do país, que raio de motivações terão os vários deputados que se sentam no parlamento regularmente e muito se recusam a conciliar esforços e procurar soluções que unam a assembleia?Seria hipócrita justificarem-se no peso ideológico de cada partido, pois as ideias de cada partido assentam na sua necessidade de sobrevivência e não de coerência...
Bem sei que há muito mais vida além do parlamento.Mas será que o que se passa nesse local não é, no fundo, um confronto de ideias e soluções, mas sim, um confronto de egos?Cujo choque se manisfesta em divergências, aparecendo as justificações à posteriori?
Parece haver uma atitude pouco científica e distanciada de si mesmo, por parte do político português em geral e é essa fachada que ele tem de manter para gerir a sua impressão no público que faz dele alguém que potencialmente põe a eficiência em segundo lugar.(isto para não falar da única coisa que é certa em ser político-dá dinheiro). Contribuindo-se assim para que a definição mais aproximada de um político seja apenas a de alguém com poder sobre outros e sem mais requisitos necessários.Ou apenas, um "admnistrador público com interesses particulares".
Saturday, March 31, 2007
Os meus medos.....
Mas a hipótese de se virem a repetir os tempos de dificuldade, de injustiça, terror.... trazem esse mal-estar.
Um primeiro sinal, á coisa de 1 ano e meio, um suposto crime organizado, perpretado por minorias étnicas numa praia de moda. Coisa de escândalo, de nome mediático, "arrastão", mas a uma escala diferente, uma ilusão. Quem poderia iludir assim a opinião pública? mas mais importante do que quem, porquê? Se formos optimistas... um grupo isolado, uma percentagem pequena, ou então... um movimento em recrutamento...
Imediatamente surge uma face pública do velho vilão das histórias passadas, para manifestar-se no Marquês de Pombal contra os "diferentes"...
Estou a ficar farto deste filme, mas não consigo parar a cassete. As pessoa vêem aquilo que têm á frente, e não tentam aprender com as histórias que já conhecemos.... Somos perfeitos? Nem pensar nisso. Estamos bem? Podíamos estar muito melhor. É inútil trabalhar para isso? Não!
O problema é este nervoso miudinho... é esta hipótese. Poderíamos correr e fugir para onde quisessemos mas ela estaria sempre lá... A opinião pública a mudar, as pessoas a cederem à virtual maioria.
A pensarem? Sim, mas não sem antes cederem à tentação daquele sentimento de pertencerem aos "bons", e aceitarem as condições de adesão. Pensando naquilo que vêem e experimentam, e esquecendo a história que nos parece tão familiar. Não olhando para a justificação.
Por fim acalma-mo-nos, e pensamos, que disparate... é um punhado de rapazes que não pensaram bem no que disseram. E fechamos os olhos com força e fingimos que nunca se passou..... até voltar a acontecer.
Penso que está a acontecer....